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20 December 2009 @ 10:21 pm
"Putinha!" . Ela me dizia enquanto puxava meus cabelos. "Putinha! Você não passa disso! Sabe por quê?" . Não me lembro o porquê, lembro-me dos gritos e quase sinto o desespero no meu couro cabeludo de novo. Eu queria dizer "tire todo o meu cabelo de mim de uma vez, mas não me machuque tanto!". Lembro-me de todos os gritos, mas não sei mais identificar as palavras ou as razões para que tivéssemos chegado àquele ponto. Lembro da humilhação que senti, mas não sei se alguém viu a cena, não me recordo se a casa estava vazia. Andamos alguns metros naquela posição. Ela me puxava pelos cabelos como se eu fosse uma boneca velha. Era como se eu fosse sua boneca feia. Que raiva da boneca feia! Porque, não tendo outro brinquedo por perto, é com a boneca feia que você tem que brincar. É tão inevitável a vontade de machucar dizendo "PUTINHA!", que vontade de machucar de verdade, de descobrir do que é feito aquele bicho que emite sons. Aposto como ela sentia vontade de enfiar as unhas em minha carne e ver se o enchimento da boneca velha se espalharia pelo chão. Desejaria, talvez, que eu reagisse, que eu virasse outra pessoa. Mas do chão levantei-me e continuei respirando da mesma forma de antes, com algum ódio que escondia debaixo de minhas costuras malfeitas.
 
 
19 December 2009 @ 12:15 am
Raquel sentia suas memórias vivas dentro de sua barriga. Daquelas noites de sexo ela se lembrava de todo o prazer que sentia ao fechar-se em seu próprio corpo. Alexandre sabia bem o que aquilo significava. Quanto mais tocassem um no outro, mais dentro de si mesmos pareciam estar. Não se tratava de eles estarem a sós, mas sim do quanto se sentiam solitários. Não havia idealização ou um objetivo a ser alcançado em cada centímetro de seus corpos em contato. Eram apenas dois corpos materializando desejos pessoais. Se o corpo dela precipitava-se para a frente, o dele não precisaria preocupar-se com fazer o mesmo. Ela estaria onde quisesse até hora em que, em um consenso mudo, ambos se satisfariam e se afastariam instantaneamente, quase por repulsa, quase por instinto.

Ele nasceu fruto de duas solidões.
 
 
Música atual: It's my life - No doubt
 
 
14 December 2009 @ 10:37 pm
i'm not on vacation, but i'm already thinking about what to do those days (actualy, those months, although i'm gonna work everyday, except weekends and holidays!).
mental note )
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13 December 2009 @ 12:41 pm
Aquilo que vi e li em 2009, só para não esquecer. Acho que tem outros que eu não lembrei por enquanto e espero terminar os que comecei até o início de 2010, nas férias.

listas )
 
 
08 December 2009 @ 12:01 pm
Naquela estação vi o outono repousando em trilhos de aço. Ávido, estático, o vejo deslizar pela plataforma. Dias invulgares, na estação um apito longo e eu nem vi que o inverno já estava desembarcando lá, suscitando aglomeração.
 
 
 
 

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